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Aborrecido
pelos maus tratos que recebia na fazenda Campo Alegre, um escravo
de nome João Antão, cujos comentários através
dos tempos diziam que mantinha um caso com a irmã de seu
Senhorio, resolveu fugir e se esconder em algum lugar seguro.
Encontrou uma gruta no alto da montanha, a qual oferecia abrigo
e uma ampla visão das montanhas ao redor.
Alimentando-se
de frutos, raízes, caça e pesca, o escravo passou
a viver naquelas cercanias.
Certo
dia, apareceu ao escravo, um senhor de certa idade, de olhar sereno
e fala macia, vestindo roupas brancas. Certamente um padre jesuíta
fugitivo das perseguições do Marquês de Pombal,
que havia determinado a explosão de todos os jesuítas
do País.
O
estranho lhe escreveu um bilhete, dizendo-lhe que entregando ao
seu amo, este lhe daria perdão. Acreditando no que lhe
foi dito, o escravo voltou à Fazenda. Ao ler o bilhete
o patriarca da família Junqueira exigiu que o escravo o
levasse a tal gruta. Montou-se uma comitiva que cavalgou ate o
local. No interior da gruta encontraram uma imagem de um santo,
entalhada em madeira, ao invés do padre Jesuíta.
Homem de profunda religiosidade, João Francisco levou a
imagem para sua casa. Esta pôr sua vez sumiu e foi aparecer
novamente na gruta. E assim pôr várias vezes. Acreditando
estar diante de um milagre, o capitão João Francisco
mandou erguer uma capela, onde posteriormente deu lugar à
igreja Matriz. Antes de concluir a o senhor de vestes branco nunca
foi encontrado. Acredita-se que era ele, o próprio São
Thomé.
Surgiu-se
assim o povoado conhecido como São Thomé.
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